Biodiesel


Definido pela Lei nº 11.097 de 13 de janeiro de 2005 como "bicombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil.", o biodiesel é um éster de acido graxo obtido através da reação entre gordura (animal) ou óleo (vegetal) com álcool num processo denominado transesterificação, sendo útil para substituir o óleo diesel em motores de automóveis ou motores estacionários (geradores).

Histórico

Em 1920 em Paris, foi mostrado em atividade ao público um motor a diesel funcionando com óleo de amendoim. No Brasil, desde esta década, já havia rumores sobre o assunto.
Tentando extrair óleo de café, uma indústria brasileira, na década de 60, descobriu a utilidade do processo de reação entre álcool e óleo liberando glicerina e formando biodiesel.
Porém, com o desenvolvimento da indústria petrolífera e a afirmação do capitalismo unido com a falta de atenção às questões ambientais e ecológicas os bicombustíveis foram deixados alheios no processo de desenvolvimento do século XX.
Com a crise do petróleo, iniciou-se a corrida por fontes alternativas de energia. No Brasil, surge o Pro-álcool com intuito de extrair energia de vegetais, afinal, num país com tão grande extensão territorial, não seria problema obtenção da matéria prima, e concomitantemente estaria agredindo menos o meio ambiente. Mas apesar do desenvolvimento da indústria alcooleira, os outros bicombustíveis continuaram encobertos.
A crise do petróleo foi minimizada e toda a pressão para encontrar saídas foi substituída pela falta de interesse dos países desenvolvidos no apoio a independência energética de países como o Brasil. Assim o Pró-álcool foi paralisado. Neste contexto, enquanto no Brasil a elite canavieira abafava as pesquisas sobre novas alternativas de biocombustíveis, na Europa e EUA os estudos continuavam a todo vapor.
Em meados do século XXI a Associação Americana de Soja (EUA) doou ao Brasil parte da produção de biodiesel de soja para ser testado em nossas frotas, objetivando fazer-nos focar no bicombustível e diminuir nossa produção de óleo alimentício. Em vão pois o potencial brasileiro é suficiente para suprir os dois mercados.
Atualmente, contamos com o B5 (meta antecipada de 2013 para janeiro deste ano). Trata-se de comercializar diesel com 5% de biodiesel. Frotas de transporte coletivo da cidade de Uberlândia, onde esta alocado do Curso de Biotecnologia da UFU, trafegam utilizando o biodiesel como combustível, e em Curitiba, a partir de agosto os ônibus passarão a ser abastecidos com B100.
Entretanto as metas para 2010 não estão focadas na inserção de mais biodiesel do diesel comum, mas na diversificação da matéria prima, que está praticamente restrito ao uso de soja.

O processo de produção

A produção predispõe de maquinaria adequada, tempo e nomes específicos. Não somos especialistas, e desejamos apenas deixar mais evidente as principais características do processo para aqueles que desconhecem o assunto.
Inicialmente faz-se o plantio e colheita da matéria prima a ser utilizada, que pode ser soja, dendê, pinhão manso, algodão, girassol, mamona e muitos outros. Quando em condições, efetua-se a prensagem das sementes ou castanhas dependendo da espécie utilizada. Desta prensagem saem dois produtos: o óleo vegetal bruto e a massa que receberá o nome de ‘torta’.
O óleo (vegetal) é um triglicerídeo, ou seja, é formado por três moléculas de ácidos graxos ligadas a uma molécula de glicerina. Este óleo será então reagido com um álcool (etanol ou metanol) e ocorrerá, dizendo de maneira bem simplória, a separação da glicerina e dos ácidos graxos, processo este denominado transesterificação. Assim, obtém-se glicerina e biodiesel.

Questão econômica

Um empecilho para a viabilidade econômica do biodiesel em relação ao óleo diesel popularmente comercializado seriam os tributos. Neste sentido, programas de incentivo visam a facilidade de credito e a isenção de impostos para pequenos agricultores ou para empresas com projetos que incluam a agricultura familiar no processo de produção, inserindo-se no chamado Selo Social do Biodiesel. Grandes indústrias também recebem incentivos, porem de ordem muito menor para que não se torne mais uma cultura restrita a elite agrária.
É importante para o ideal futuro de generalização do biodiesel a inserção da agricultura familiar e a utilização de áreas em regiões sem desenvolvimento ou de difícil acesso. Desta maneira, juntamente com a expansão do produto, contaríamos com a geração de empregos, desenvolvimento social e econômico de localidades remotas. Vale destacar ainda o pioneirismo, deixando de lado a pressão exposta por grandes empresas e até outros países que obviamente não tem interesse em ver respectivamente ascensão de pequenas empresas e elevação de um país considerado subalterno.
Econômica e globalmente o biodiesel se torna uma excelente arma para lucro no mercado de cotas de carbono. Este mercado surgiu como uma alternativa aos países que assinaram o Protocolo do Kyoto se comprometendo a reduzir a emissão de gases nocivos, mas não conseguiriam. Eles poderiam então comprar créditos de carbono de países que não estivessem ‘no vermelho ecológico’. Concomitantemente surgiram os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo que são projetos de mitigação ou seqüestro como reflorestamentos ou desenvolvimento de produtos que substituam aqueles mais nocivos, como bicombustíveis na substituição de combustíveis fósseis. – Ressalta-se que o MDL infere muito risco ao investidor, já que deve contar com fatores de desenvolvimento, e, para assegurar seu objetivo, a aprovação de projetos é um processo muito burocrático.
Deixando a questão ambiental para ser tratada mais a frente, o mercado de carbono gerara ainda interesse internacional no âmbito comercial pelo produto brasileiro. Antes disto, nosso país poderá alcançar a auto-suficiência em diesel que é importado em larga escala – e estará na forma de biodiesel.

Questão Ambiental

A questão ambiental é basicamente o fator impulsionador do desenvolvimento de bicombustíveis e também o fator privilegiante ao Brasil, afinal, sua extensão territorial, área agricultável, clima, biodiversidade vegetal e presença de imensas bacias hidrográficas são grandes aliados neste processo. Porém, não é este o ponto a ser tratado, mas a questão da emissão de gases poluentes pelos combustíveis fósseis.
A emissão de dióxido de carbono – principalmente - e outros gases poluentes e sua influencia no efeito estufa é sem dúvida uma questão que está no topo das discussões mundiais.
Como soluções divulgadas destacam-se a produção de matéria prima para fins energéticos e seu consumo de forma que a emissão e a absorção de dióxido de carbono se anulem; técnicas para eliminar os poluentes da atmosfera – chamadas técnicas de seqüestro e fixação - e a substituição de combustíveis fósseis.
Enquanto cada vez mais o petróleo atinge a natureza degradando-a de formas mais variadas (como visto no vazamento de óleo no Golfo do México que ainda não foi totalmente contornado), sendo considerado a principal causa do dito efeito estufa por vários estudiosos, surge o biodiesel que traz em seu ciclo um elo entre a emissão dos poluentes e a absorção dos mesmos pelo vegetal de onde foi extraído.
Além de possuir este ciclo fechado em ralação ao dióxido de carbono, o biodiesel é um combustível renovável, biodegradável, e não tóxico. Ao contrario dos combustíveis populares no Brasil, possui poucos riscos no seu transporte, pois possui ponto de combustão mais de 50% menor que o diesel comum.
Ainda vale citar que a partir de sua produção é gerada biomassa que pode ser utilizada em diversas áreas da agropecuária ou até mesmo para geração de energia como outro tipo de bicombustível.

Problemas

Nem tudo é perfeito. Mas só se encontra muitos defeitos quando muito se procura. Diante de tantas vantagens expostas pelo biodiesel e de tanto incentivo, acredito que encontrar os problemas do biodiesel e ainda por cima publicá-los não é algo a ser louvado. Porém, encontram-se alguns para trazer todo este sonho de mundo verde do biodiesel para a realidade.
De ordem residual, a glicerina originada em grande quantidade no processo não é de toda aproveitada, a oferta acaba por ser maior que a demanda o que poderá gerar ou descarte desta matéria prima excessiva, ou a queda brusca no preço.
Por falar em preço, o biodiesel pode vir a custar mais que o diesel comum e está disponível em poucos estabelecimentos. Ainda, os automóveis já em circulação só possuem motores adaptados ao nível máximo B5, além de que assim como o álcool no inicio de sua comercialização, pode apresentar problemas no inverno.
Curiosidades

* No Brasil são realizados leilões de biodiesel. São um artifício utilizado pela Agencia Nacional do Petróleo para garantir que as metas de inserção de biodiesel no óleo diesel sejam cumpridas, já que a empresa comprou o direito para isto. Em 2010 eles vem gerando polêmica.
* Bicombustíveis também são utilizados em aeronaves. Na década de 80 a UFCE (Universidade Federal do Ceará) desenvolveu o querosene vegetal para aviação, aceito posteriormente pelas autoridades responsáveis.
* O Brasil deve fazer parte do GE-8, um grupo internacional – formado por 8 países – para a discussão de assuntos ligados ao meio ambiente. [não se confirma a existência deste GE-8]
* A glicerina (subproduto) possui aplicações na indústria química, cosmética, alimentícia, de medicamentos entre outras.

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